INPE e EDP lançam projeto para o setor elétrico enfrentar as mudanças climáticas
Em um futuro próximo, o setor elétrico brasileiro passará a enfrentar, com frequência, eventos severos decorrentes das mudanças climáticas. O projeto ClimaGrid, que será oficialmente lançado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a EDP no dia 3 de dezembro, agregará à tecnologia das redes elétricas a inteligência das pesquisas científicas na área climática, e será o primeiro a abordar esta temática no Brasil e um dos primeiros no mundo.
Previsto para ser realizado no período de três anos, o projeto ClimaGrid pretende fazer com que dados de vento, chuva, vegetação, raios e temperatura passem a fazer parte do sistema elétrico de forma simples e intuitiva. Devido a sua grande abrangência, o projeto integra diversas áreas, como sustentabilidade, inovação, telecomunicação, tecnologia da informação, voltadas para a distribuição e transmissão de energia elétrica.
Segundo o Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico, realizado em 2009, o maior desafio do setor elétrico brasileiro é identificar os impactos das mudanças climáticas. “Esta preocupação existe porque as tempestades severas, acompanhadas de altas quantidades de descargas atmosféricas, ventos fortes e chuvas intensas, são responsáveis por um número significativo de falhas no sistema elétrico. Isto ocorre devido ao fato de que 99% das redes brasileiras são aéreas e, desta forma, estão completamente expostas às condições climáticas”, comentou Osmar Pinto Junior, Coordenador do Projeto ClimaGrid e Coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do INPE.
“Esta preocupação existe porque as tempestades severas, acompanhadas de altas quantidades de descargas atmosféricas, ventos fortes e chuvas intensas, são responsáveis por um número significativo de falhas no sistema elétrico.”
Osmar Pinto Junior, Coordenador do ELAT e do Projeto ClimaGrid.
Somado a isto, devido ao aquecimento global, o Brasil, que já é o país com a maior incidência de raios do mundo, com cerca de 60 milhões de descargas por ano, deverá ter um aumento desse fenômeno nas próximas décadas e uma intensificação de tempestades severas com ventos e precipitações intensas. “No sudeste do Brasil, tempestades severas estão se tornando cada vez mais frequentes. Nos últimos cinco anos, tempestades que ocorreram em São Paulo, Taubaté, Mogi das Cruzes, Belo Horizonte, Vitória e Rio de Janeiro, entre muitas outras cidades, registraram mais de mil raios em uma hora”, acrescentou.
Para solucionar estes desafios, o projeto ClimaGrid traz um ângulo inovador ao conceito debatido internacionalmente de smart grids ou redes inteligentes. As redes inteligentes devem transformar o sistema elétrico de forma radical nas próximas duas décadas permitindo às concessionárias de energia e aos consumidores uma interatividade similar ao mundo virtual, tanto no que se refere à disponibilização como ao consumo de energia. Apesar das redes inteligentes pressuporem o acesso a diversas informações em tempo real, como, por exemplo, o estado da rede, elas não prevêem tecnologias que introduzam informações climáticas ao sistema.
“Sempre que se fala de questões climáticas em relação ao futuro do setor elétrico - no âmbito das redes inteligentes - aborda-se que as redes elétricas terão a capacidade de utilizar diversas fontes renováveis de energia, entretanto, comenta-se muito pouco sobre o fato de que as mesmas necessitarão de inteligência também para enfrentar os eventos meteorológicos extremos”, disse Vitor Gardiman, Gerente do Projeto ClimaGrid e Gestor Executivo de Desenvolvimento Tecnológico da EDP Bandeirante e Escelsa.
A estrutura da rede de energia elétrica de hoje ainda segue o modelo criado há mais de 120 anos, quando a primeira linha de transmissão foi instalada em Nova York. Contudo, com a introdução das redes inteligentes será possível uma redução das tarifas (com um preço diferenciado em diferentes horários) e ainda uma melhora na qualidade de energia (isto é, menos variações de tensão e interrupções). Além disto, novas tecnologias passarão a fazer parte do dia-a-dia das pessoas, tais como controlar à distância os eletrodomésticos das casas, os sistemas para irrigar os jardins e a iluminação para a segurança ou, ainda, em um futuro mais distante, carregar a bateria dos carros elétricos em um horário de menor custo de energia. Passados 120 anos com uma mesma tecnologia, as redes inteligentes irão criar novos hábitos para a sociedade, fazendo com que se torne difícil ficar sem elas até por breves instantes.
Sobre o evento
O projeto ClimaGrid será lançado no dia 3 de dezembro, a partir das 9h, no auditório do Teatro Folha no Shopping Higienópolis em São Paulo, durante cerimônia que apresentará um sumário dos últimos resultados das pesquisas nas áreas de mudanças climáticas e redes inteligentes e contará com a presença de inúmeros especialistas, entre eles Carlos Nobre, José Goldemberg e Pedro Jatobá. Inscrições limitadas! Para se inscrever, enviar nome e RG para: fabio.mantezi@inpe.br.