INPE realiza projetos para o setor elétrico enfrentar as catástrofes climáticas
Projeto proposto pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) em parceria com o Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) deve desenvolver novas tecnologias e sugerir legislação específica voltada à proteção das redes elétricas de distribuição contra desastres naturais. “Este projeto tem um caráter estratégico para o setor, sendo uma das principais iniciativas no país visando garantir uma qualidade de energia elétrica condizente com o desenvolvimento tecnológico do país”, comentou Osmar Pinto, Coordenador do ELAT.
Somado a isto, o novo modelo desenvolvido pelo ELAT permite determinar com grande precisão quais as regiões do sistema de transmissão de energia estão sujeitas a maior incidência de raios. O modelo permite gerar mapas com resolução de até um quilômetro corrigidos levando-se em conta as limitações das redes de monitoramento tanto em relação às distâncias e orientação espacial entre as descargas em relação aos sensores. “Este é o modelo do gênero mais preciso existente no mundo, o que permitirá aperfeiçoar os esforços do setor para minimizar a ocorrência é interrupções no fornecimento de energia”, disse Osmar Pinto.
As mudanças no clima são hoje o maior desafio do setor elétrico. Na última década, o setor sofreu com eventos extremos de vendavais, tornados, furacões, enchentes e altas taxas de incidência de granizo e de raios, que trouxeram perdas significativas. Segundo estudo elaborado pela Abradee, a partir de informações disponibilizadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), de 2006 até 2010 o impacto dos eventos climáticos extremos sobre os indicadores de qualidade que medem a duração (DEC) e a freqüência (FEC) das interrupções no fornecimento de energia, vêem crescendo ano após ano, sendo que em 2010 já respondem por um aumento de 28% sobre o DEC e 19% sobre o FEC do setor.
“Este é o modelo do gênero mais preciso existente no mundo, o que permitirá aperfeiçoar os esforços do setor para minimizar a ocorrência é interrupções no fornecimento de energia.”
Osmar Pinto Junior, coordenador do ELAT
Por outro lado, as redes elétricas são em grande parte as mesmas de 50 anos atrás.
Além disso, aproximadamente 99% de nossas redes são aéreas e, portanto, expostas aos fenômenos climáticos. Enterrá-las, o que tornaria as redes em parte mais imunes ao clima, custaria investimentos de bilhões de reais, visto que o custo de instalação de uma rede subterrânea é cerca de 10 vezes maior que uma rede aérea, o que tornaria as tarifas proibitivas. Em resumo, nenhuma empresa distribuidora está totalmente preparada para uma situação extrema, pois o custo necessário para enfrentar estas situações de forma individual seria proibitivo. Por outro lado, a infra-estrutura urbana de nossas cidades também não está preparada.
Evidências crescentes mostram que os acontecimentos climáticos extremos, associados na maior parte das vezes as tempestades severas, estão ocorrendo com maior freqüência e em um número maior de regiões. O aumento da urbanização nas grandes metrópoles tem causado um aumento da ocorrência de tempestades. Por exemplo, na cidade de São Paulo, maior cidade do país, a ocorrência de tempestades aumentou cerca de 60% nos últimos 50 anos, concomitantemente com um aumento de dois graus na temperatura média local e 0,8 graus na temperatura global. As evidências mencionadas acima tornam fundamental a busca pelas empresas concessionárias de energia de soluções conjuntas. Tais soluções buscam garantir uma qualidade de serviço ao cidadão condizente com os avanços tecnológicos almejamos para as próximas décadas.