Na última década a Agência Espacial Brasileira (AEB) tem trabalhado no sentido de dotar o Brasil de um centro de lançamento de foguetes de grande porte, o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. Contudo, para que tal objetivo tenha sucesso no futuro, é necessário implementar medidas eficazes para evitar que acidentes com raios venham a comprometer estes lançamentos.
No Brasil não existem até o momento registros de acidentes com raios em campanhas de lançamento no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, e isso se deve (em parte) ao pequeno número de lançamentos. Contudo, caso lançamentos venham a ser realizados com maior freqüência a partir da base de Alcântara, acidentes deste tipo podem vir a ocorrer, assim como ocorreram em outros países. Para a região de Alcântara o único parâmetro disponível para estimar o número de raios até o momento é o índice ceráunico, ou seja, o número de dias com tempestades.
“Uma das principais medidas para reduzir o risco de acidentes com raios em lançamentos de foguetes é, sem dúvida nenhuma, a instalação de um sistema de detecção de descargas nuvem-solo e intra-nuvem na área do centro, com alta eficiência de detecção.”
Osmar Pinto Junior, coordenador do ELAT
Um dia de tempestade é definido como o dia calendário no qual um observador escutou um trovão. Este índice indica a ocorrência de em média 30 dias de tempestades na região, o que não pode ser considerado como muito alto (este valor é cerca de um terço do valor encontrado no centro de lançamento do Centro Espacial Kennedy, localizado na Flórida, EUA). Contudo, considerando que a simples presença de uma nuvem eletrificada seja suficiente para induzir uma descarga durante a subida de um foguete, estima-se que em mais de um terço dos dias do ano tal situação possa ocorrer. O rápido deslocamento de linhas de tempestades na região também pode mudar de forma rápida as condições atmosféricas durante os preparativos de lançamento, o que, caso não seja previsto com certa antecedência, pode levar a acidentes.
O Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT), ligado ao INPE, vem trabalhando junto a diversos órgãos para estender a nova rede brasileira de monitoramento de raios, a BrasilDAT, para a região norte do Brasil, o que esperamos que ocorra até o final de 2012. A nova rede permitirá monitorar as descargas intra-nuvem, o que irá contribuir significativamente para evitar acidentes. A BrasilDAT também possibilitará o desenvolvimento de adequados critérios de segurança, específicos para as condições atmosféricas locais, que deverão ser utilizados de modo a evitar (ou ao menos minimizar) futuros acidentes.
Tais acidentes, caso ocorram, podem atrasar ou mesmo comprometer as demais metas do programa espacial brasileiro, podendo, ainda, vitimar os membros das equipes envolvidas.