Ministério da Ciência e Tecnologia
 
 
Projeto Laboratório Rádio Ciência 




Sede:
Av dos Astronautas, 1.758
Jd. Granja - CEP: 12227-010
São José dos Campos - SP
Brasil
Tel: 55 (12) 3208-6000

Atualização: 07/04/2010


           Textos e Linguagem Radiofônica

            A boa qualidade nas produções radiofônicas é obtida gradualmente, e começa com a consciência de que ela  passa (devendo ser procurada e acompanhada) em cada uma das várias etapas da produção, ou seja, pela ideia, pelo planejamento, pelo roteiro, pelo texto, pelas gravações, pelos personagens, pelos efeitos sonoros, ambiente musical,  edição etc.
           A linguagem radiofônica possui 10 mandamentos básicos propostos pelo Prof. Mario Kaplun, um dos maiores especialistas também em linguagem radiofônica das Américas, e que foram enunciados no seu livro “Producion de programas de radio. El guion, la realizacion”, publicado no Equador em 1978, e muito conhecido entre os nossos radialistas:

  1. Clareza – não podemos ver nossos interlocutores (ouvintes), nem perceber suas reações, devemos portanto procurar nos expressar com o máximo de clareza possível, prever eventuais dúvidas, imaginar a reação dos ouvintes, e tentar adiantar as respostas.
  2. Simplicidade - as falas radiofônicas são necessariamente breves, elas não servem para informações profundas e extensas. Servem para motivar, despertar inquietude e não para oferecer detalhes de algum assunto.
  3. Motivação - as primeiras frases são decisivas. É preciso capturar a atenção do ouvinte desde o início. É preferível partir do conhecido, do cotidiano e do familiar.
  4. Exemplificação - é muito importante o uso de exemplos, sempre que possível; como também tentar humanizar o tema, contando fatos e casos.
  5. Linguagem - devemos usar sempre um vocabulário simples e familiar. Termos e nomes populares devem ser usados no lugar de termos e nomes técnicos, que quando inevitáveis, devem ter logo o sentido explicado.
  6. Sintaxe - use frases curtas e diretas.
  7. Estilo - seja coloquial e informal. Personalize a fala com comentários e opiniões. Explore o calor humano e fale de pessoa para pessoa.
  8. Modéstia - evite dar uma de professor ou adotar um tom de superioridade.
  9. Manejo de dados e números - cite poucos dados, cifras e números. Quando necessário, use números arredondados e cite apenas as cifras significativas. Comparações também ajudam o ouvinte a compreender melhor a magnitude ou ordem de grandeza da quantidade em questão.
  10. Reiteração - o rádio é um meio fugaz. O ouvinte não pode voltar atrás caso tenha perdido um trecho da transmissão. Portanto, é importante repetir, reiterar os pontos obscuros e importantes, dizendo mais de uma vez a mesma coisa, com palavras simples e diferentes.

           Por fim, quanto à locução, vale chamar a atenção também para a importância da pontuação e do encadeamento da fala.

           Textos
           
            São vários os tipos de texto envolvidos na produção radiofônica como roteiros, pautas, laudas, entrevistas, fichas técnica, projetos etc. Segue uma breve explicação dos principais textos usados em produções de rádio:

           Pauta

           No jargão jornalístico, pauta quer dizer tema ou assunto da reportagem ou entrevista.  O roteiro para a realização da reportagem ou entrevista é também chamado de pauta, e é composto de uma pesquisa feita sobre o assunto a ser tratado, com o objetivo de passar o maior número de informações possíveis para que o repórter/âncora faça uma boa reportagem ou entrevista. Cabe ao pauteiro, aquele que escreve a pauta, incluir dados sobre os entrevistados, locais, telefones, histórico dos acontecimentos, etc.  Uma típica pauta  contém o nome do programa, o nome do pauteiro, a data, o nome do repórter,  a retranca (assunto), o nome da fonte, o seu cargo ou função, os seus contatos (telefone, email, secretária etc.), a data, o horário e o tempo previsto da entrevista, os objetivos da reportagem/entrevista, um histórico da questão e sugestão de perguntas.
           Por exemplo:
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Programa: Ciência da Cidade     Pauteiro: Zézinho         Data: 01/10/07
Nome do Repórter: Joãozinho; Retranca: pesquisas sobre raios
Fonte: Dr. Fulano de Tal,  Chefe do Laboratório de Raios do INPE
Contatos: telefone-39456000, secretária-Maria, email: fulano@inpe.br
Entrevista: 11/10/07          no INPE (pode também ser telefônica)
Horário: 14h       Tempo previsto: 10 min.
Objetivos:
- saber que tipos de pesquisa são desenvolvidas no laboratório.
-  indagar sobre o aumento da  incidência de raios no Brasil.
- conhecer os últimos avanços na tecnologia de para-raios.
Histórico:
Os raios ( descargas elétricas entre a superfície da terra e nuvens carregadas, durante fortes  tempestades)  são assunto de grande interesse da maioria dos brasileiros. Sabe-se que a incidência de raios no nosso território está aumentando, bem como o número de mortes relacionadas. Menos conhecidos parecem ser as causas principais deste aumento. Parece polêmica também, ainda, a tecnologia de pára-raios. O Laboratório do INPE conta com os maiores especialistas da área no Brasil, tendo publicado diversos trabalhos no Brasil e no exterior.
Sugestão de perguntas:

- Quais são os projetos ou linhas de pesquisa do laboratório?
-O são os raios bola? Eles podem ser confundidos com discos voadores?


-Qual é hoje a tecnologia de para-raio mais aceita?

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           Lauda

           Lauda, por outro lado, é um documento padronizado com os textos a serem lidos durante a gravação. Cada página da Lauda vem com um cabeçalho na parte superior seguido de duas colunas: uma mais estreita a esquerda onde identificamos na sequência os agentes, isto é repórter, locutor, técnico de mesa etc., e uma mais larga à direita com o texto, dividido em lead, sub lead, complemento e final de pé.
           No cabeçalho encontram-se as seguintes informações gerais: nome do programa; nome da editoria (ou seja, o grupo de alunos responsável); retranca (formada por duas palavras chaves sobre o tema que será abordado na lauda); tempo (estimativa do tempo total, considerando que em média 5 segundos para cada linha escrita da lauda); direção, técnico (responsável pela edição e sonora do programa); data e quantidade de laudas (páginas).
           Dicas para escrever uma lauda. Lembrar que:

           * cabeçalho é obrigatório contendo na retranca duas palavras chaves,
           * nome do diretor responsável pelos conteúdos, do técnico responsável, data, página, fonte, um ou mais locutores, parágrafo de duas linhas, considerando-se que cada linha equivale a 5 segundos de  tempo gasto da lauda;
           * quando um texto tem somente a fala do repórter é boletim;
           * quando tem o repórter e a sonora ( entrevista) é matéria;
           * Lead significa o início de qualquer texto. Há dois tipos básicos de texto: o noticioso que se baseia em contar o fato, o que aconteceu, com quem aconteceu, onde, como etc., e o não factual, onde o mais importante é conduzir a leitura de todo o texto.
           * no sub lead devemos dizer de forma clara e objetiva  o que aconteceu utilizando no máximo 3 linhas;
           * complemento é acrescentar as informações que se fazem necessárias;
           * final de pé é quando o locutor faz o fechamento da matéria.

           Vejamos agora, nas próximas páginas, alguns exemplos.

PROGRAMA

Nome/Tema

Epiglotite

EDITORIA

Ciência Jovem

RETRANCA

Epiglotite/ doenças respiratória

TEMPO

 

1’ 30’’

DIREÇÃO

Fulano

TÉCNICO

Fulano de tal

DATA

25/08/2007

PÁGINA

01

 

EDITOR

Fulana

FONTE

Professora Fulana de tal

 
REP

 

Lead Epiglotite é uma infecção séria. Pode ser fatal. Causada pela bactéria aemofilos influenza, é uma infecção que resulta em inflamação da epiglote a válvula de cartilagem localizada na entrada da laringe. A epiglote incha e obstrui a passagem do ar.
Sub Lead A epiglotite aparece subitamente. O sintoma mais comum é uma grande dificuldade de engolir. A criança baba porque não pode engolir sua própria saliva. Pode ocasionar febre, respiração ruidosa que fica mais a mena na medida da piora.
COMPLEMENTO Através do diagnóstico médico é feito exame físico o uso antibiótico-terapia, incubação oro – braquial se for o necessário.
A prevenção se dá através da vacinação da aemofilos influenza, que é anti-gripe.
FINAL (PÉ)
Obrigado pela participação em nosso programa.
Voltemos ao estúdio.

 

PROGRAMA

Nome/Tema

Umidade do ar

EDITORIA

Tal

RETRANCA

Umidade do ar

TEMPO

1Min 13 Seg

DIREÇÃO

Fulano de tal

TÉCNICO

Fulano de tal

DATA

25/08/2007

PÁGINA

01

 

EDITOR

Solaine

FONTE

Jornal Vale Paraibano

 
REP

 

Lead O clima de SJC está igual ao deserto. Umidade relativa cai; Defesa Civil mantém estado de alerta. O índice de umidade relativa em SJC piorou nos últimos meses e chegou a atingir a marca de 14% num patamar semelhante às áreas dos desertos.

.

Sub Lead Segundo o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do INPE, índice é considerado de risco para saúde. Umidade relativa é a quantidade de água em forma de vapor na atmosfera. Ela é considerada normal quando o índice está acima de 50%. Índices abaixo de 20% são registrado em desertos. A baixa umidade do ar pode ocasionar complicações respiratórias, como o agravamento de asma e bronquite, além de irritação nos olhos e sangramento no nariz.

.
COMPLEMENTO Segundo o chefe da Defesa Civil de SJC, fulano de tal, a população deve estar atenta durante o período em que a taxa de unidade da cidade se mantiver baixa. É importante não se expor em locais onde há muita fumaça, evitar exercícios físicos nos períodos de muito calor e ingerir bastante líquido.
FINAL (PÉ)
Para maiores informações acesse o site: www.jornal.valeparaibano.com.br.

           FICHA TÉCNICA:

ROTEIRO RADIOFÔNICO

TEMA:

ESCOLA:

PRODUTORES:

 

DATA:_______/_______/_______                                     TEMPO:                                                             

SCRIPT / TRILHA  - DEIXA

TEMPO

 

 

 

 

 

 

FONTES:

 

           REVISOR:

           Dicas de Gravação

           - escolher um lugar silencioso
           -falar  “1,2,3” depois de apertar o rec., antes de começar a falar
           - usar o gravador a um palmo de distância do entrevistado
           - no caso de gravadores digitais MP3, é preferível deixá-lo parado, apoiado sobre a mesa, por exemplo.
           -usar toda a fita cassete, ao invés de gravar sempre no início.
           - controlar o volume do gravador e evitar entrevistas em locais abertos e barulhentos.
           
            Dicas de Locução

           -fale com naturalidade
           -muita atenção e capricho com a pontuação
           -evite cantar
           - treine a pronúncia e a articulação, para pronunciar o mais claramente cada palavra
           -procure manter o mesmo tom e ritmo
           -ouça bastante rádio para aprender com quem faz

            Dicas de Edição

           - “O rádio, ainda que falado, não é só palavra (...) Ouvimos o galope e vemos o cavalo, o ruído do trânsito nos põe em meio a uma artéria cheia de movimento, a sirene de um carro dos bombeiros e o crepitar do fogo nos leva a visualizar o incêndio” (KAPLÚN, 1978 pp 175).

           - “Deve-se procurar incluir ao máximo o som ambiente, que favorece a compreensibilidade, provoca a intervenção da imaginação no ouvinte e, sobretudo, dá credibilidade à informação. Por outro lado, estes elementos dão dinamismo e ritmo à reportagem” (PRADO, 1989 pp 89).

           - Veja aqui um exemplo de uso de efeitos sonoros no rádio, que como as imagens em um livro ou revista, valem muitíssimas palavras.  Nesta programação dos efeitos sonoros de uma gravação sobre o homem primitivo, é interessante notar as indicações da duração (linha vertical) e da dinâmica (aumento e depois diminuição do volume) dos dois efeitos programados, isto é, do som de percussão no inicio, e de trote de animais no final da gravação (Della Casa,1993):
SCHEMA.JPG
           Dicas para entrevistas

           - deixar e estar à vontade com o  entrevistado  
           - priorizar perguntas claras, objetivas e educadas
           - evitar interrupções no meio da entrevista
           -procurar entender bem as respostas
           -se precisar, pedir para o entrevistado repetir com outras palavras.


 
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