Ministério da Ciência e Tecnologia
 
 
Projeto Laboratório Rádio Ciência 




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Atualização: 07/04/2010

           
           
Pedagogia da Comunicação
                      (E.A. de Andrada e Silva)

           Na tentativa de melhorar nossas escolas, é muito importante considerar as conclusões e os resultados de reconhecidos pesquisadores e estudiosos da educação. Em particular, para as escolas públicas do Brasil, é interessante considerar as ideias do às vezes chamado modelo latino americano de educação, baseado na Pedagogia do Oprimido, do Professor Paulo Freire e na Pedagogia da Comunicação do Professor Mario Kaplun. Podemos dizer que elas formam o fundamento teórico do nosso projeto.
           O Prof. Kaplun propõe que na educação os meios de comunicação não sejam restritos ao campo da instrumentação e diz que:
“a função da comunicação no processo educativo transcende o uso dos meios; e está longe de ser incorporada com a introdução em forma unidirecional de ‘materiais educativos’ impressos, em vídeos, áudios ou programas de rádio e televisão. Apesar de úteis, esses materiais pouco contribuem para promover e estimular processos formativos autênticos” (Kaplun, 1998).
           Kaplun lembra que o saber é um produto social, que deve ser compartilhado e comunicado, e assim concebido e construído socialmente. Considerando o exemplo de um jornalzinho de escola, diz ele que “no começo, são as crianças redatoras as que compartilham e fazem o intercâmbio de suas produções. Logo, o produto coletivo é levado por elas às suas casas e começa a ser lido pelos seus pais, irmãos e familiares. Depois de certo tempo, aquele meio de comunicação escolar ultrapassa os limites do bairro e começa a circular nos vizinhos. Enfim, seu círculo se expande e entra em contato com comunicadores remotos; ele é lido em escolas de regiões distantes do país, que retribuem enviando seus próprios textos, estabelecendo um intercâmbio de saberes à distância.”
           E que, cada vez mais na nossa sociedade, os meios de comunicação de massa têm grande poder na formação de opiniões, valores e atitudes. Os professores conhecem, se preocupam com esta influência e procuram  formar alunos com senso crítico. Nem todos sabem, porém, que a pedagogia da comunicação propõe uma ótima estratégia para a formação de sujeitos com esta mentalidade crítica em relação aos meios de comunicação. A ideia é fazer com que os próprios alunos descubram, eles mesmos na prática, as sutilezas e os mecanismos de manipulação e influência das transmissões televisivas, de rádio, dos jornais e outros meios. 
           O tipo de comunicação é uma medida do tipo de educação. Por exemplo, a educação preocupada apenas com a inseminação de conteúdo e/ou modelagem do comportamento usa uma comunicação-monólogo, unidirecional, com locutores e ouvintes. Quando a preocupação é com a formação de pessoas autônomas, críticas, criativas e cidadãos participantes, a escolha deve ser pela comunicação-diálogo, que potencializa a formação de interlocutores. De maneira bem geral, no início as escolas serviam para formar pessoas civilizadas, ou seja, que se comportassem de acordo com as normas da sociedade civil, e eram justamente chamadas de escolas normalistas; depois, aos poucos, a preocupação passou a ser na formação de sujeitos autônomos, que para isso devem saber ler e escrever.
           A comunicação, porém vai muito além das regras e do domínio de uma língua ou linguagem, e está diretamente ligada à geração e à disseminação do conhecimento, do saber. Hoje, portanto, na sociedade do conhecimento, a tendência da escola é a de formar comunicadores, ou interlocutores. A diversidade da sociedade moderna e do planeta e o enorme aumento no seu potencial comunicativo pedem mesmo uma atenção deste tipo. Para o bem do planeta e de seus habitantes, será sempre mais importante que os diferentes grupos, tribos, povos e civilizações consigam se comunicar da melhor forma possível.  
           Acredita-se então que hoje a formação escolar deva se confundir um pouco com a formação de interlocutores e comunicadores. O aprendizado fica assim mais eficiente e muito facilitado quando os alunos desenvolvem produtos comunicáveis, ou seja, comunicações de qualidade, que sejam efetivamente veiculadas, compartilhadas, isto é, produções que entrem de fato em ação; como por exemplo, um jornal que é impresso e distribuído, um vídeo que é exibido em algum evento, programa ou festival, ou ainda, como no nosso caso, um áudio ou programa de rádio efetivamente transmitido.
           A educação também passa pela vivência sadia e estimulante do aluno em um ambiente de múltiplas interações. As melhores escolas devem assim criar e oferecer aos seus alunos um ambiente rico de interações, ou seja, com um rico fluxo ou sistema de comunicação com efetiva troca de ideias, opiniões e informações. Por isso, um ótimo ambiente escolar hoje contaria com, por exemplo, rádio, jornal, grêmio, página na internet, mural, vídeo, televisão, festivais, seminários, bandas etc.

           Comunicação radiofônica na escola

           Entre os vários meios de comunicação, o rádio é talvez aquele que ofereça as maiores e melhores oportunidades de aplicação dos conceitos da Pedagogia de Comunicação. Argumentamos ainda que o trabalho com comunicações científicas em rádio, como neste projeto, esteja entre as escolhas mais oportunas para introduzir de forma efetiva o rádio nas escolas públicas do país. As características pedagógicas - segundo as ideias de M. Kaplun - dos trabalhos desenvolvidos nos laboratórios de rádio das escolas, podem ser mais bem compreendidas, refletindo sobre as seguintes questões, que formam um útil questionário de avaliação das produções radiofônicas dos alunos e resumem os princípios desta pedagogia:

Reflexões e questionário de avaliação das produções de rádio na escola

           Concepção Educativa

  1. O programa está ligado a qual conceito de educação? A ênfase foi colocada no conteúdo, no resultado ou no processo?
  2. Estimula o raciocínio e a reflexão? Problematiza?

 

           Concepção Comunicativa

  1. Qual a concepção de comunicação usada no programa?
  2. O programa é unidirecional ou busca a participação e o diálogo?
  3. É autoritário ou participativo?

 

           Pauta / Ponto de Partida

  1. Para iniciar, foram escutados possíveis ouvintes /destinatários do programa?
  2. Foram consideradas as experiências, necessidades e aspirações destes destinatários? Foi feito um bom planejamento para a produção do programa?

 

           Atitude Comunicativa

  1. O programa está concebido em função do destinatário, pensando nele, colocando-se no seu lugar? Tem empatia?

 

           Formação do Programa / Mensagem

  1. Aproveita a variedade de linguagens que o meio oferece? O programa utiliza e combina bem essas linguagens?
  2. A mensagem está bem codificada? Está bem clara?
  3. É aberta ou do tipo “tudo dito e digerido”? Estimula uma decodificação ativa por parte dos ouvintes / destinatários? A mensagem é focada?
  4. Há coerência entre o conteúdo e a forma? As mensagens secundárias apoiam e são coerentes com a mensagem central? Ou ao contrário, se contradizem desvirtuando a mensagem?
  5. A seleção dos elementos da mensagem é adequada (ou elementos importantes foram omitidos ou elementos não relevantes foram incluídos)?
  6. Evita e controla razoavelmente o ruído?
  7. Tem estratégia e metodologia adequada? Ou seja, ao formular o programa foi previsto um modo de uso da sua mensagem e isso responde à mesma?

 
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