Funções da Música
(Grazia Laura Perigozo)
Cada um de nós, em modo diverso, pode dar uma definição do que é a música. Mas certamente muitos ainda não pararam para pensar no fato de a música ter várias funções, mais ou menos evidentes. A função é uma tarefa específica desenvolvida por uma estrutura; neste caso pela estrutura musical. A música, portanto, pode ser útil para atingir certos objetivos. E quais seriam estes nossos objetivos?
Em um programa de rádio breve e direto como o Ciência Jovem, a vinheta é a identidade, o anúncio e a capa (ou apresentação) do programa. E é também o que fica auditivamente na nossa memória, e que nos lembra, quando a escutamos, que o programa está começando. Portanto, neste caso, o nosso objetivo é o de encontrar os "melhores" sons para apresentar o programa estimulando a audição e a memória.
Consideramos, entre as várias funções da música, aquelas necessárias para uma transmissão de rádio: a função EMOCIONAL (a vinheta estimula em nós reações emocionais como curiosidade, alegria, energia etc., que nos induzem a escutar o programa) e a função IDENTIFICATIVA (a vinheta nos informa, através da nossa memória auditiva, que está começando "aquele" programa e o identifica).
Mas como escolher, ou melhor, desfrutar dos recursos que a música nos oferece? Neste ponto, é importante perceber que a música possui na sua ESTRUTURA OBJETIVA (ritmo, andamento, tema, caráter etc.) os instrumentos que podemos usar para atingir o objetivo desejado. E só conhecendo estes instrumentos, através da nossa pessoal e SUBJETIVA experiência auditiva, analisando-os, catalogando-os e definindo-os, é que podemos nos servir deles.
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Se escutarmos, por exemplo, frases de duas músicas, ou peças musicais diferentes, podemos individuar os elementos estruturais mais evidentes: o ritmo, o andamento, a linha melódica, a dinâmica. As peças possuem uma ESTRUTURA OBJETIVA, mas com características diversas. Uma das músicas poderia ter um ritmo veloz, a outra lento. Uma poderia ter uma linha melódica a pedaços, descontínua, com saltos, e a outra uma linha melódica contínua das notas graves às agudas e assim por diante. Se associarmos estes elementos à nossa percepção, à emoção que eles nos provocam, e sentirmos as nossas reações SUBJETIVAS, descobriremos que o "sentir" é diferente para cada um de nós. Mas que existe também uma percepção, uma reação emocional, COMUM a todos quando sentimos certo ritmo, certa frase melódica ou um andamento particular. Um ritmo veloz pode provocar sensação de energia, alegria, enquanto um ritmo lento pode induzir o relaxamento, a meditação etc.
Portanto, para atingirmos o nosso objetivo inicial, podemos escolher músicas, frases, sons vários e, por que não, ruídos, que através de seus elementos estruturais, provoquem as reações emocionais que desejamos.
Podemos também usar um elemento da peça musical, por exemplo o seu “tapete rítmico” , que pode ser usado por poucos segundos, ou então usar ruídos que na nossa cultura nos fazem associar um certo estado de ânimo. Veja por exemplo a exclamação coral que segue, nos estádios de futebol, uma bola que quase entra no gol, é aquele “Uuuuuuuuu”. È desilusão em som, um efeito sonoro, quase ruído, com grande energia e claro significado. Ou ainda podemos usar o humor, brincando com os sons. Assim o tapete, fundo musical, de uma conversa divertida poderia ser uma música clássica como uma fuga de Bach, ou o seu oposto.
A escolha da vinheta, por exemplo, deve então ser feita com inteligência. Deve partir do conhecimento da estrutura objetiva das peças musicais, de modo a capturar a atenção do ouvinte e convidá-lo para ouvir o programa. E, naturalmente, deve ser sempre uma escolha estética e original, para que o som entre e fique mais facilmente na nossa cabeça. |