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Atualização: 08/03/2010


           Ciência com Humor
                      (E.A. de Andrada e Silva)

           Entre os programas mais efetivos, incluindo o “Prosa Rural”, encontramos sempre modos muito descontraídos de se falar de ciência, bem como uma boa dose de bom humor.  Alguém pode achar estranho poder brincar e dar risadas falando de ciência, que afinal é coisa tão importante e séria. Mas não é estranho não, ao contrário! A ciência é mesmo muito importante e é também muito humana, para justamente não deixarmos de também nos divertir com ela. Facilitando muito e de diversas maneiras a comunicação, o bom humor é ferramenta de ouro na mídia como também na educação e na popularização e  divulgação da ciência.
           É bom, por exemplo, que o prêmio Nobel seja mais conhecido que o Ig Nobel. Porém, não dá para negar que a diversão da premiação do Ig Nobel é muito saudável e instrutiva, e poderia também ser acompanhada pelos nossos estudantes. A cerimônia de entrega do Ig Nobel lota todos os anos o maior auditório da Universidade de Harvard nos EUA, e é transmitida ao vivo por rádio (National Public Radio) e televisão (c-span). São vários prêmios por ano, para pesquisadores com “resultados que não podem e nem devem ser reproduzidos”.  Os “honrados” recebem o prêmio das mãos de um ganhador do prêmio Nobel, em uma festa animadíssima e, por isso, alguns ganhadores vêm de longe, pagando do próprio bolso, para participar. Entre os prêmios mais divertidos dos últimos anos estão:

Paz 2007 – para pesquisador da Força Aérea dos Estados Unidos, por sugerir a pesquisa e o desenvolvimento de uma "bomba gay", que poderia fazer com que os soldados das tropas inimigas se tornassem sexualmente atraídos uns pelos outros.

Química 2006 – para pesquisadores da Universidade das Ilhas Baleares, em Palma de Mallorca, Espanha, pelo estudo "Velocidades Ultrassônicas no Queijo Cheddar Afetadas pela Temperatura" (Ultrasonic Velocity in Cheddar Cheese as Affected by Temperature).

Medicina 2003 – para pesquisadores da University College London, por apresentar evidências de que o cérebro dos taxistas de Londres são mais desenvolvidos do que o dos outros cidadãos.

Matemática 2002 – para pesquisadores da Agricultural University, India, pelo artigo analítico intitulado “Estimação da área superficial total em elefantes indianos”.

Educação Científica 1998 – a uma professora emérita da New York University, por demonstrar os méritos do toque terapêutico, um método no qual enfermeiras manipulam os campos energéticos dos pacientes, evitando com cuidado o contato físico.

Biologia 1997 – para pesquisadores do Hospital Universitário de Zurique, Suíça, da Universidade Médica de Kansai em Osaka, Japão, e do Instituto de Pesquisa em Tecnologia da Neurociência em Praga, República Tcheca, por medir os padrões de ondas cerebrais de pessoas enquanto mascando diferentes tipos de chiclete.

Química 1996 - para um Professor da Univ. de Purdue (EUA) por seu recorde em fazer churrasco: três segundos, usando carvão e oxigênio líquido.

Literatura 1996 - aos editores da revista Social Text por avidamente publicarem pesquisa que eles não podiam  entender,  e que o autor Alan Sokal define como insensata, afirmando que a realidade não existe (gerando o famoso caso Sokal). 

Física 1994 – para a Agência Meteorológica do Japão, que durante sete anos, desenvolveu pesquisa para saber se os terremotos eram causados pelo movimento da cauda dos peixes gato.

           O Ig Nobel nasceu da revista satírica “Annals of Improbable Research” 1, dando continuidade ao “Jornal dos Resultados Irreproduzíveis”; confira em www.improb.com (Abrahams, 1998).
Nesta mesma linha de fazer “primeiro rir..., e depois pensar”,  mas tendendo um pouco mais para o humor negro, existe também o prêmio Darwin 2 para pessoas que promovem uma melhoria significativa da espécie ao se eliminarem dela da maneira mais espalhafatosamente estúpida possível (i.e. “honoring those who improves the species by accidentally removing themselfs from it”). A escolha é cuidadosamente feita entre centenas de casos enviados por email, e com votação pela internet (www.darwinawards.com). Alguns casos são mesmo muito hilários.
           Neste campo de humor e ciência, o cartunista americano Sidney Harris parece imbatível. Já faz muitos anos que charges suas (muito engraçadas, tirando sarro dos cientistas, dos seus “métodos” e de suas instituições) podem ser encontradas em quadros de avisos nos corredores e salas de café da maioria dos grandes centros de pesquisa científica ao redor do mundo. Vários livros seus foram publicados nos EUA. No Brasil, em 2006, a Editora da UNESP publicou o “A ciência que ri”, com uma seleção delas. Algumas destas charges parecem pedir diferentes adaptações, como por exemplo para o rádio, para que as suas inteligentes piadas possam ser apreciadas por um maior número de pessoas.
           Estes são só alguns dos exemplos mais significativos de humor e ciência que servem de inspiração e motivação para os nossos esforços no desenvolvimento de experiências similares no rádio.


1 Mark Abrahams , “The besto f Annals of Improbable Research”  (1998)

2 Wendy Northcutt, “Darwin awards – os campeões da idiotice” (Matrix, São Paulo, 2006)

 


 
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