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INPE esclarece notícias falsas sobre aproximação de Marte

por INPE
Publicado: Ago 21, 2006
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São José dos Campos-SP, 21 de agosto de 2006

Imagem INPE esclarece notícias falsas sobre aproximação de Marte

A afirmação de que Marte estará em máxima aproximação da Terra no próximo dia 27, e brilhará tanto quanto a Lua cheia, não tem fundamento. É um boato circulado na Internet, resultado de uma troca de data e de falta de entendimento do fenômeno.


Em 27 de agosto de 2003 Marte esteve em sua máxima aproximação nos últimos 60.000 anos e o fato foi bastante divulgado na mídia. Depois disso, sempre são veiculadas notícias falsas nessa época do ano.

A próxima aproximação de Marte será em meados de dezembro de 2007 (entre os dias 16 e 22,) quando ele brilhará tanto quanto a estrela mais brilhante do firmamento noturno (Sirius). As aproximações de Marte ocorrem aproximadamente a cada 26 meses. A penúltima aproximação aconteceu em 27 de agosto de 2003 e a última em 30 de outubro de 2005.


O tamanho aparente (no céu) de Marte varia de 3,1 segundos de arco a 25,1 segundos de arco, devido à variação contínua de sua distância à Terra. Por outro lado, o tamanho da Lua no céu é, em média, de 30 minutos de arco [nota: um grau equivale a 60 minutos de arco ou 3.600 segundos de arco]. Isto significa que, mesmo em sua máxima aproximação da Terra, o planeta vermelho ainda continua sendo mais do que 70 vezes menor do que a Lua no céu.

Quanto mais próximo um astro estiver de nós, tanto mais brilhante e maior aparecerá no céu. Porém, Marte nunca poderá aparecer do tamanho da Lua, porque está bem mais distante de nós do que o nosso satélite. Mesmo quando está mais próximo, Marte ainda se encontra quase 150 vezes mais distante do que a Lua. Marte nunca pode também brilhar tanto quanto a Lua [nota: a Lua e os planetas brilham porque simplesmente refletem a luz do Sol]. Marte pode ter no máximo um brilho aparente de aproximadamente 7.000 vezes menor que o da Lua em fase cheia.

Por outro lado, o planeta que se encaminha para sua oposição ao Sol e máxima aproximação da Terra (em início de setembro) é Urano, cujo brilho aparente ficará no limiar da visão humana sem uso de quaisquer instrumentos ópticos (de um local bem escuro a céu aberto).

André Milone e Ana Maria Zodi, pesquisadores da Divisão de Astrofísica do INPE
imagens: Sky & Telescope (
http://skytonight.com/)


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