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Diminuem as queimadas para colheita da cana-de-açúcar em SP

Segunda-feira, 26 de Abril de 2010

Mais da metade da safra 2009-2010 de cana-de-açúcar no Estado de São Paulo foi colhida sem a prática da queima da palha. O projeto Canasat, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), monitora por imagens de satélites o modo de colheita da cana e mostra que 55,7% da última safra foi realizada sem a queima. Desde o início deste monitoramento, em 2006, foi a primeira vez que a colheita sem queima superou a colheita com queima da palha.

As regiões administrativas tradicionais no cultivo da cana-de-açúcar que registraram as maiores porcentagens de colheita sem queima foram Barretos (61,4%), Central (61,2%) e Campinas (60,7%). Já as regiões administrativas de Marília e Presidente Prudente foram as únicas que tiveram maior porcentagem de área colhida com queima - 56,3% e 50,8%, respectivamente.

A colheita manual, precedida pela queima da palha da cana-de-açúcar, tem sido gradativamente substituída pela mecanização desde a assinatura, em 2007, do Protocolo Agroambiental entre a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, a União da Indústria de Cana-de-açúcar do Estado de São Paulo (UNICA) e as associações de fornecedores. Os dados do Canasat são usados para avaliar o cumprimento da norma.

O Estado de São Paulo é responsável por cerca de 60% da produção de cana-de-açúcar do Brasil. Para a safra 2009-2010, a área disponível para colheita chegou a quase 4,9 milhões de hectares. Uma área tão grande e o longo período da colheita, que se estende de abril a dezembro, inviabilizam uma fiscalização feita somente em campo.

As imagens de satélites, por cobrir grandes extensões territoriais e em períodos regulares de tempo, são ferramentas eficazes para monitorar com segurança as áreas cultivadas e apontar se a colheita foi realizada com ou sem queima da palha.

Confira aqui o relatório completo sobre a safra 2009-2010

CANASAT
Utilizando técnicas de sensoriamento remoto e geoprocessamento, o Canasat começou em 2003 a mapear a área cultivada e fornecer informações sobre a distribuição espacial da cultura de cana-de-açúcar em São Paulo. A partir de 2005, o mapeamento passou a abranger também Paraná, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

O monitoramento da colheita para verificação se houve ou não a queima da palha, realizado desde 2006, é restrito ao estado de São Paulo, mas deverá ser expandido para os outros estados nos próximos anos. Em 2009, este monitoramento passou a ser mensal para avaliar a evolução da colheita ao longo da safra e auxiliar na fiscalização e no fornecimento de autorização de queimadas da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Os dados do projeto Canasat estão disponíveis no site www.dsr.inpe.br/canasat

Artigo
Recentemente, o periódico internacional Remote Sensing, edição especial Global Croplands, publicou artigo de pesquisadores do INPE sobre a rápida expansão da cana-de-açúcar no Estado de São Paulo. O trabalho descreve a metodologia utilizada para o mapeamento do cultivo da cana-de-açúcar e da área disponível para a colheita e apresenta os períodos propícios para aquisição de imagens de satélite. Também são abordadas questões relacionadas à colheita e à mudança de uso do solo, identificando o uso do solo anterior ao cultivo da cana-de-açúcar. O artigo está disponível em http://www.mdpi.com/2072-4292/2/4/1057/


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