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INPE divulga nota

Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) irá preparar uma relatório técnico, a ser entregue ao Operador Nacional do Sistema (ONS), em que analisa as condições atmosféricas no Brasil durante a noite de terça-feira, quando ocorreu o apagão.  Para isso, os técnicos do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) e do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), ambos do INPE, estão analisando em conjunto os dados sobre as descargas atmosféricas (raios) e demais fatores meteorológicos, como intensidade dos ventos e chuvas.

Até o momento, é possível afirmar que uma linha de instabilidade atmosférica causou chuvas fortes, raios e rajadas de vento em localidades do Paraná e São Paulo, conforme atestam as imagens abaixo, analisadas pelos meteorologistas do CPTEC/INPE.

Uma massa de ar quente e instável que estava sobre a região Sul, SP e MS associada a uma frente fria que chegou ao Sul, nesta terça-feira, foram os responsáveis pela formação desta linha de instabilidade e das tempestades observadas.

Figura 1: Descargas atmosféricas (raios) registrados entre às 21h55 e 22h55 do dia 10 de novembro de 2009. Fonte: Rede Integrada Nacional de Detecção de Descargas Atmosféricas (RINDAT)

A figura 2, uma imagem de radar registrada às 22h15, mostra duas áreas de chuvas mais fortes (cores mais quentes), uma delas próxima da cidade de Jaú e outra na região Itaberá, ambas cidades do interior paulista. 

Figura 2: Imagem do Radar Meteorológico de São Roque (SP), às 22h15, operado pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA). As cores indicam a intensidade da refletividade que pode ser relacionada com a intensidade da chuva. Fonte: DECEA

A figura 3 é uma imagem de satélite no canal infravermelho que mostra a temperatura dos topos das nuvens às 22h15 entre o Sul e o Sudeste do Brasil. Notam-se valores de temperatura significativamente baixos, entre -70C e -80C, em três regiões do Estado de São Paulo. Quanto mais baixas as temperaturas no topo das nuvens, mais profundas e carregadas elas são.

Figura 3: Imagem de satélite no canal infravermelho que mostra a temperatura (em Celsius) dos topos das nuvens às 22h15, conforme os valores na legenda abaixo da figura. Fonte: CPTEC/INPE

A análise das imagens acima foi feita pelos especialistas do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/INPE).

Raios
Segundo os especialistas do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do INPE, embora houvesse uma tempestade na região próxima a Itaberá, com atividade de raios no horário do apagão, as descargas mais próximas do sistema elétrico estavam a aproximadamente 30 km da subestação e cerca de 10 km distantes de uma das quatros linhas de Furnas de 750 kV e a 2 km de uma das outras linhas de 600 kV, que saem de Itaipu em direção a São Paulo.

Para os especialistas do ELAT/INPE, a baixa intensidade da descarga registrada (menor que 20 kA) não seria capaz de produzir um desligamento da linha, mesmo que incidisse diretamente sobre ela, segundo dado da Rede Brasileira de Detecção de Descargas (BrasilDat), que no momento do apagão estaria operando com ótimo desempenho. Em geral, apenas descargas com intensidade superiores a 100 kA, atingindo diretamente uma linha, poderiam causar um desligamento de linhas de transmissão operando com tensões tão elevadas como as linhas de Itaipu (duas de 600 kV e duas de 750 kV).


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