Número 03
Informativo INPE - 22 de Outubro de 2015


Associações cartográficas de todo o mundo definiram o período 2015-2016 como o “Ano Internacional dos Mapas”. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), através do seu Centro Regional do Nordeste (CRN), instalado em Natal, promove o projeto “Construindo nosso Mapa Municipal visto do Espaço”. A iniciativa foi destaque durante o ICC 2015 – 27th International Cartographic Conference, organizado pela ICA (International Cartographic Association) e pela SBC (Sociedade Brasileira de Cartografia) recentemente no Rio de Janeiro.

Mapas muncipais do INPE em destaque no estande do ICC 2015


Realizado em parceria com prefeituras e escolas, o projeto do INPE gera mapas voltados às necessidades dos municípios do semiárido. Já foram contempladas mais de 200 cidades nos estados do Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Piauí, Ceará e Maranhão. 

São produzidos os seguintes tipos de mapas: Carta Imagem Urbana na escala de 1:10.000, destacando a zona urbana do município; Carta Imagem Rural na escala de 1:25.000 e outras menores, para mostrar o município em sua totalidade; Mapa do Uso e Ocupação do Solo, classificando Caatinga Preservada, Caatinga Degradada, Solo Exposto, Lavoura, Corpo d'água e Urbano; Mapa Rodoviário e Hidrografia, com estradas de terra e pavimentadas, incluindo também rios, riachos e reservatórios de água. 

O programa também atua no sentido de mostrar a crianças e adolescentes como as tecnologias espaciais e a ciência são importantes para o desenvolvimento e bem-estar social. Os próprios alunos de 9ª série do ensino fundamental das escolas beneficiadas executam os levantamentos necessários para lançar nos mapas os nomes dos logradouros públicos e a localização das principais instituições da cidade. Já as prefeituras fornecem os nomes de barragens, açudes, lagoas, rios, serras, povoados, distritos, assentamentos rurais e sítios arqueológicos. 

Alunos observam mapas feitos com as imagens de satélites

Assim, os jovens participam ativamente na construção dos mapas do município, assistem a palestras e frequentam oficinas sobre as atividades espaciais, as novas tecnologias, o meio ambiente e a necessidade de preservar a Terra. 

Os mapas disponibilizados para as escolas municipais são importantes no ensino de Geografia e Meio Ambiente. Além disso, as prefeituras podem utilizar os mapas para realizar o planejamento urbano e rural e elaborar políticas de recursos hídricos, preservação ambiental, ocupação do solo etc. Todos os mapas apresentam indicadores socioeconômicos e dados demográficos dos municípios obtidos no IBGE. 

“Recentemente incluímos novos Mapas Municipais: no Piauí, 12 mapas; no Ceará, 6 mapas; no Rio Grande do Norte, 8 mapas; e na Paraíba, 46 mapas; totalizando mais 72 mapas”, informa Miguel Cuellar, coordenador do projeto e líder do Grupo de Geoprocessamento do CRN/INPE. 

Desde o início do projeto, em 2006, já foram entregues 536 mapas com a seguinte distribuição: 

Rio Grande do Norte - 64 municípios atendidos, 204 mapas prontos;
Paraíba - 77 municípios atendidos, 161 mapas prontos;
Ceará - 31 municípios atendidos, 73 mapas prontos;
Piauí - 15 municípios atendidos, 47 mapas prontos;
Pernambuco - 12 municípios atendidos, 26 mapas prontos;
Alagoas - 12 municípios atendidos, 24 mapas prontos; e
Maranhão - 1 município atendido, 1 mapa pronto.


Os mapas podem ser obtidos a partir da página www.geopro.crn2.inpe.br 

Atividade em escola da rede muncipal



Monitoramento da Caatinga

Como resultado do projeto “Construindo Nosso Mapa Municipal Visto do Espaço”, o CRN/INPE também avança no mapeamento da dinâmica de uso e cobertura da terra no Semiárido brasileiro. 

“Geramos cinco mapas por município, e o mapa de ‘Uso e Ocupação do Solo’ serve para conhecer o estado atual da Caatinga”, destaca Miguel Cuellar. Segundo ele, já foi mapeada uma área de aproximadamente 107 mil Km², o que representa 11% do total da Caatinga. Até o momento, o monitoramento revela 44% de Caatinga Preservada, 41% de Caatinga Degradada, 6,6% de Solo Exposto, 6,4% de lavoura, 0,6% de corpos d’água. 

“Os dados preliminares revelam que há diferenças na cobertura vegetal entre mesorregiões dos estados e, por isso, ainda não é possível identificar qual é o estado mais desmatado ou o mais preservado”, explica Cuellar. 

O objetivo deste mapeamento é subsidiar eventuais políticas de desenvolvimento sustentável no que tange ao uso da terra pelo homem e a necessidade de conservação ambiental. Os pesquisadores do CRN/INPE verificam nas imagens de satélites as mudanças ambientais ocorridas na região e buscam identificar os principais vetores do desmatamento com base em dados socioeconômicos. 

O monitoramento quantifica as áreas de vegetação natural e as alteradas, delimitando as áreas de produção agrícola, de culturas perenes, pastagens, entre outras. “Isso permite conhecer as dinâmicas de desmatamento da Caatinga associadas a diferentes padrões de desenvolvimento econômico. Isto quer dizer que, além da delimitação do desmatamento, são identificadas as principais atividades econômicas que exercem pressão sobre os recursos naturais”, diz Cuellar. 

O mapa do desmatamento do bioma Caatinga foi elaborado a partir da classificação de imagens de satélites de 2013/2014 da região semiárida dos estados de Alagoas, Ceará, Pernambuco, Paraíba, Piauí e Rio Grande do Norte. As informações estão em escala municipal, o que permitirá avaliar a mudança ambiental tanto no âmbito municipal quanto por microrregião, mesorregião e por estado. 

Os dados estão disponíveis na página: www.geopro.crn2.inpe.br/desmatamento.htm 

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