Os Desastres Naturais a as Mudanças Climáticas

Nas últimas décadas tem ocorrido um aumento considerável na freqüência anual de desastres naturais em todo o globo. Conforme dados do EM-DAT (2007), a média de desastres ocorridos na década de 70 foi de 90 eventos por ano, saltando para mais de 260 eventos na década de 90 (Figura 5). Estes números refletem diretamente a elevação na freqüência e intensidade dos desastres causados pelas tempestades severas, como mostrado pela linha azul na Figura 5.

Figura 5 - Freqüência anual de desastres naturais para todo o globo (1900-2006).

Dentre os principais fatores responsáveis pelo aumento dos desastres naturais em todo o mundo cita-se: o crescimento populacional, a segregação sócio-espacial (aumento das favelas e bolsões de pobreza), a acumulação de capital em áreas de risco (ocupação da zona costeira), o avanço das telecomunicaçõs (registro e disseminação de informações) e as mudanças climáticas globais (Marcelino et al., 2006).

A comunidade científica tem dado grande ênfase as mudanças climáticas, como resultado do aquecimento global, principalmente a partir da publicação do 4o Relatório do IPCC. Esse relatório menciona que no Brasil os desastres naturais de origem atmosférica tendem a continuar aumentando, com destaque para as tempestades e os eventos de precipitações intensas sobre as regiões sul e sudeste do Brasil e o agravamento da seca no nordeste e avanço sobre as regiões norte e centro-oeste (IPCC, 2007).

Na Figura 6, em azul estão representadas as áreas onde os índices de precipitação estarão acima da média (até 20%) no final do século XXI. Enquanto que, em amarelo, as áreas que estarão com deficiência de precipitação. Nota-se que a tendência é que aumentem ainda mais os desastres causados pelas tempestades no sul e sudeste do Brasil nos meses de verão (DJF) e as secas no norte, nordeste e centro-oeste nos meses de inverno (JJA), como já demonstram os dados coletados até então.

Figura 6 - Mudanças nos índices de precipitação (em porcentagem) para o período 2090-2099, baseado no cenário SRES A1B. As siglas DJF e JJA correspondem aos meses de verão (Dezembro, Janeiro e Fevereiro) e inverno (Junho, Julho e Agosto), respectivamente. Fonte: IPCC (2007).

O aumento da precipitação nas regiões sul e sudeste não necessariamente aponta para uma boa distribuição anual das chuvas. Pelo contrário, a tendência é que as precipitações ficarão ainda mais intensas e concentradas, ou seja, chuvas muito fortes e em poucos dias, como já vendo sendo observado (Liebmann et al., 2004; Boulanger et al., 2005; Groisman et al, 2005; Marengo, 2006).

Em Campinas (SP), o número de dias de fortes chuvas (>50 mm/h) tem aumentado consideravelmente, passando de aproximadamente 12 dias nas décadas de 60 e 70, para mais de 25 dias tanto na década de 80 e 90 (Vicente e Nunes, 2004). Um padrão similar também foi encontrado para a região metropolitana de Curitiba (PR). Nessa região os índices de precipitação demonstram uma mudança comportamental a partir da década de 70, com uma elevaçço significativa no número de dias com precipitações acima de 40 mm/h (Silva e Guetter, 2003). Em Santa Catarina, também foi observado um aumento significativo de inundações bruscas (enxurradas) a partir da década de 90, quando os registros ultrapassaram a média de 23 casos/ano para o período 1980-2003 (Marcelino et al., 2004).

As inundações bruscas ocorrem associadas a elevados índices de precipitação (> 25 mm/h), e são altamente perigosas e destrutivas (Doswell et al., 1996; Marcelino et al, 2004). Em virtude do aumento dos dias precipitações intensas, somado aos desmatamentos de encostas, a ocupação das planícies de inundação, ao assoreamento dos rios e a impermeabilização urbana (asfaltamento de ruas, construções, etc.), as inundações bruscas em áreas urbanizadas se tornarão num dos principais problemas ambientais que a região Sul e Sudeste do Brasil terão que enfrentar para as próximas décadas. Por isso, é necessário, em caráter de urgência, o estabelecimento de medidas preventivas que possam minimizar as conseqüências deste fenômeno, visando sempre á diminuição do número de pessoas afetadas e vitimadas.

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